É completamente normal que uma mãe queira vestir sua filha como uma princesinha, comprando as melhores marcas infantis do mercado. Se a família tem condições de bancar um guarda-roupa lindo para os pequenos, não há problema nenhum nisso, afinal que mãe que consegue resistir as marcas infantis, que estão fazendo peças cada dia mais lindas e descoladas? Nós mesmas adoramos os blogs voltados para a moda infantil, e não recriminamos ninguém por gostar disso. O problema está quando o ato de comprar roupas bonitinhas se transforma em consumismo infantil. Muitas mães estão criando, sem notar, pequenas consumistas em casa, crianças que se preocupam mais com a marca do vestido que estão usando do que com qualquer outra coisa. Crianças que um dia se tornarão adultas, e tem uma grande probabilidade de ter problemas com esse consumismo excessivo.
Não estamos falando apenas do problema financeiro, esse consumismo muitas vezes acaba fazendo com que as crianças se preocupem excessivamente com sua aparência. Especialmente as meninas, é muito comum ver algumas com menos de 5 anos querendo passar maquiagem, fazer escova no cabelo e usar roupa de marca. Esses dias eu presenciei uma cena, em que uma menininha que não aparentava ter mais de 8 anos estava chorando, dizendo que estava muito feia para sair de casa. Quando eu vejo isso eu só consigo pensar em uma coisa (que foi a mesma que a Constance Zahn citou no seu blog em um post sobre o tema): que estão roubando a infância dessas crianças. Elas estão se tornando adultas, e tendo preocupações de gente grande antes mesmo de chegarem aos 10 anos!
Há um pouco mais de dois meses saiu uma matéria no site do Estadão sobre o “Fashion Weekend Kids”, um evento de moda infantil que aconteceu em São Paulo. Várias mães, tias, suas filhas e sobrinhas foram entrevistadas, e pasmem com os absurdos que apareceram na conversa: “Sabe o que eu acho? Se a gente comprasse na C&A, na Riachuelo, elas não estariam tão antenadas. Eu não imagino minha filha colocando uma roupa da Renner nem para dormir.” Ou “Sua sobrinha gosta de grife? Sofia (apontando para a bolsinha Givenchy branca da menina): O que você acha?”. E há muito mais. Essas mães acham lindo o fato de suas filhas darem valor ao dinheiro e as marcas acima de tudo.
Nós devemos ficar atentas aos valores que estamos passando aos pequenos. Ninguém nasce consumista. Nenhuma menina nasce se preocupando com a marca dos sapatos que está usando. Antes de ensinar sua filha a valorizar o dinheiro, o luxo e as marcas famosas, pense na pessoa que você quer que ela torne no futuro.






















